Capitalização da Previdência vai engordar lucros dos bancos e trabalhadores vão ficar na mão

Publicado: 03/04/2019 às 19:53



A Reforma da Previdência, que tem como uma de suas principais propostas a criação do regime de capitalização, engordará ainda mais os já altíssimos lucros dos bancos. É o que demonstra o diretor técnico da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), Mauro José da Silva, em entrevista para a revista IstoÉ Dinheiro.

 

 

Em estudo elaborado por ele, o diretor considerou dois ciclos longos de 35 anos, nos quais haveria apenas o regime de capitalização e do qual participariam todos os trabalhadores. 

Após esse período, o sistema teria acumulado um patrimônio de R$ 54 trilhões, mais de 13 vezes o total aplicado atualmente em fundos de investimento. Isso daria aos bancos, em média, um lucro anual de R$ 388 bilhões em taxas de administração e carregamento para os bancos. Em contrapartida, segundo Silva, “um trabalhador que se aposentasse aos 60 anos só teria dinheiro até os 73 anos”. Se não houvesse as taxas bancárias, o dinheiro acabaria aos 80 anos. “No limite da expectativa de vida atual”.

 

Modelo é o fim da previdência pública e social

O modelo atual da Previdência no Brasil é o de repartição, no qual a geração atual paga os benefícios de quem já está aposentado. Isso é uma garantia de que todos vão se aposentar. Já a capitalização é a privatização da Previdência.

O trabalhador será obrigado a abrir uma conta e fazer uma poupança individual. Terá de depositar todos os meses e pagar taxas de administração a bancos ou fundos de pensão.

Nos países onde esse sistema foi implantado foi um fracasso. Os idosos vivem na miséria, sem condições de uma vida digna, o que tem provocado altos índices de suicídio.

A capitalização prejudica inclusive quem já é aposentado, pois essa mudança leva a previdência pública à falência, o que impedirá o pagamento de dos atuais benefícios.

Em seminário, realizado no último dia 14 de março, sobre a Reforma da Previdência e o Sistema da Dívida Pública, a integrante da Auditoria Cidadã da Dívida Maria Lúcia Fatorelli reafirmou o quanto o regime de capitalização é prejudicial aos trabalhadores, e só beneficiará os bancos.

“Essa é uma modalidade que nem pode ser chamada de Previdência, porque cada trabalhador terá sua conta individual ligada a um fundo, sem participação do empregador, os bancos administrarão essas contas, cobrando taxas exorbitantes, aplicarão esse dinheiro no mercado financeiro de risco, sem garantia de pagamento de benefício futuro”, explicou.

Há um agravante que, inclusive, o trabalhador terá que fornecer “aportes adicionais” para equilibrar o fundo. “Nós podemos não ter nada para receber e ter uma conta para pagar”, frisou Fatorelli.

O modelo de capitalização é para dar lucros para banqueiros!

Diga não à reforma da Previdência! É preciso construir a Greve Geral para defender o direito à aposentadoria e os direitos previdenciários!

 

 


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